sábado, 14 de novembro de 2009

Caixa de Pandora

Na Mitologia Grega, durante a criação do mundo os Irmãos Prometeu e Epitemeu foram os encarregados a darem virtudes a todos os animais. Foram eles que distribuíram a todos os animais a capacidade de voar, nadar, rastejar, caçar, correr, pular, envenenar, mimetizar e assim por diante. Deixaram o homem por último, mas por descuido o homem ficou sem nenhuma virtude para se sobrepujar perante os outros animais; aí eles roubaram dos céus o segredo do fogo para dar aos homens.

Esta atitude enfureceu Zeus que resolveu enviar de presente a Epitemeu, sua filha Pandora (a bem dotada) que foi a primeira mulher da história criada cheia de virtudes pelos deuses. Ela levava consigo uma caixa que continha todos os males do mundo. Sem saber, Epitemeu casou-se com ela e movido pela curiosidade abriu a caixa libertando os males que haveriam de assolar a humanidade dali em diante: o trabalho, a doença, a loucura, a mentira e a guerra. Segundo o mito, Pandora conseguiu fechar a caixa antes que a esperança também saísse para afligir a humanidade.



Além das semelhanças deste mito com a história de Adão e Eva, a grande questão gira em torno do porquê uma caixa contendo todos os males da humanidade continha também a Esperança, e existem várias interpretações.

Uma tradução melhor do original grego poderia ser "antecipação", ou até temor irracional. Graças ao fechamento por Pandora da caixa no momento certo, os homens sofreriam somente dos males, mas não o conhecimento antecipado deles, o que provavelmente seria pior. Uma outra interpretação ainda sugere que este último mal é o de conhecer a hora de sua própria morte e a depressão que se seguiria por faltar a esperança.

No filme Revolutionary Road (http://www.imdb.com/title/tt0959337/), April & Frank Wheeler (o casal Titanic) resolvem sair do subúrbio dos EUA e se mudar para a França por que o sonho americano não tinha acontecido para eles. E aparentemente todos acham que o plano deles é loucura, exceto o filho da corretora de imóveis (John Givings), reconhecidamente louco. Ao justificar a decisão de se mudar para o louco, Frank Wheeler (Leonardo di Caprio) diz que o subúrbio onde eles moram não passa de um vazio sem esperança. John Givings (Michael Shannon) responde:

“Hopeless emptiness. Now you've said it. Plenty of people are onto the emptiness, but it takes real guts to see the hopelessness.”

Enxergar a falta de esperança foi o motivo principal que despertou na família a vontade de se mudar para a França. Achar que havia alguma esperança de que a vida no subúrbio melhorasse e esperar por esse dia é que fazia as pessoas ficarem por lá.

Este exemplo mostra como a esperança pode atrapalhar a vida das pessoas. Ao achar que os problemas serão resolvidos naturalmente, o homem se acomoda e deixa de buscar a solução para os mesmos. Claro que nos casos em que a solução para um problema não está ao seu alcance, a esperança pode até servir de consolo, mas nos casos em que a solução do problema está ao seu alcance, a esperança só serve de empecilho.

Personagens e Personalidades

Uma das principais características de um bom ator é encarnar um personagem. Ao atuar o artista precisa convencer o público que a personalidade do personagem é a dele e que ele está realmente sentindo aquelas emoções que demonstra.

Para atingir este objetivo existem várias técnicas como estudar o personagem psicologicamente, conviver com pessoas parecidas com o personagem, treinar sotaque, aprender a atirar, montar a cavalo, tocar um instrumento musical; sem falar na transformação física: ganhar ou perder peso, pintar e cortar o cabelo, fazer plástica, tatuagens e assim por diante.

O ator que se dedica ao trabalho e realiza tudo isso provavelmente ficará famoso, mas nada é de graça. Aquele que passa muito tempo interpretando outros papéis com tanto afinco acaba por perder a própria identidade.

Em entrevista, o grande ator britânico Anthony Hopkins que interpretou Dr. Hannibal Lector em The Silence of the Lambs (http://www.imdb.com/title/tt0102926/) e suas continuações declarou o quanto atuar é desgastante para o caráter e para a saúde.

Outro exemplo é do ator Val Kilmer que se dedica meticulosamente a seus personagens, sendo capaz de morar numa caverna de morcegos na África para se preparar para o filme Batman (http://www.imdb.com/title/tt0112462/), ou ainda decorar a letra de todas as músicas do The Doors para interpretar Jim Morrison no filme The Doors (http://www.imdb.com/title/tt0101761/), a ponto de a banda cogitar gravar com ele como novo vocalista. O resultado disso é que o cara pirou, após o filme Top Secret (http://www.imdb.com/title/tt0088286/), ele fez um mochilão por toda a Europa, após o filme The Doors ele pensava ser realmente Jim Morrison e após a filmagem de Batman, continuou andando de carro pela noite como se fosse o príncipe das trevas.

E não precisa ser tão bom ator assim para sofrer desse mal. Não sei citar nenhum caso mas já ouvi inúmeras vezes histórias de atores que fazem par romântico se apaixonam durante as filmagens de um filme, separam-se de seus maridos e esposas reais para viver uma ardente paixão com o(a) companheiro(a) de cena, e depois de alguns meses se separam. Acontece com qualquer ator, bom ou ruim, basta ser facilmente influenciável.

Estendendo esse conceito, não precisa ser um ator de cinema para sofrer deste mal. Infelizmente, diariamente as pessoas têm que interpretar diferentes papéis na sociedade. No trabalho diante do chefe, diante dos subordinados, diante de um cliente, diante de um fornecedor; em casa, diante dos pais, dos filhos dos sogros e assim por diante.

Ao trabalhar numa empresa, depois de algum tempo começamos a incorporar uma cultura corporativa. É muito comum ver os personagens que cada um exerce numa empresa: o puxa-saco, o coxinha, o sangue nos olhos, o vestidor de camisa, o sonhador, o encostado, o reclamão, o fofoqueiro, o coitadinho, o sedutor, o extremamente ocupado, o passa fome, o duas caras, o rei da oratória, o cara de pau, o especialista em dar desculpas (tirar da reta), o mal-humorado, o pessimista, o carrasco, o dedo-duro; são tantos que é melhor parar por aqui.

Todos estes padrões são muito bem explorados nas tiras do Dilbert (http://www.dilbert.com/) e nos episódios do sitcom The Office (http://www.imdb.com/title/tt0386676/).


O próprio Anthony Hopkins interpretou um dedicado mordomo no filme The Remains of the Day (http://www.imdb.com/title/tt0107943/) onde a sua dedicação ao serviço e ao patrão, ou seja, ao papel de mordomo, era tanta que na vida pessoal ele continuava agindo como um mordomo. Ele simplesmente não conseguia esboçar qualquer reação diante de uma mulher declarando seu amor a ele, ou perante o falecimento do pai; A profissão o transformou num homem sem emoções.

Não tem jeito, é preciso fazer um esforço enorme para não cair nessa armadilha de interpretar papéis em situações diferentes.

Como seria bom se pudéssemos ser nós mesmos o tempo todo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Compositores #002 - Mendelssohn


Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) foi um compositor alemão do início do período romântico. Um dos maiores músicos de todos os tempos, nasceu numa família rica e foi uma criança prodígio como Mozart. Muito influenciado por Bach, Mozart e Beethoven manteve o formato do classicismo, mas já com um toque de romantismo.


Hoje ele apenas é lembrado pela sua obra musical, mas enquanto vivo também se dedicava à pintura e a poesia. É um grande exemplo de que para quebrar paradigmas num campo de conhecimento é fundamental uma formação multidisciplinar.


Foi ainda um dos primeiros músicos a se preocupar com a história da música, sendo grande divulgador da obra de Bach, que na época estava caindo no esquecimento, mas graças a seu esforço e de outros artistas da época como Goethe, a obra de Bach foi então redescoberta e será sempre executada e lembrada.


Mendelssohn ainda se enquadra naquela categoria de compositores que quase ninguém conhece de nome, mas todos conhecem pelo menos uma música. Sua obra mais famosa do grande público é sem dúvida a Marcha Nupcial que faz parte da obra: Sonho de uma Noite de Verão (Opus 21, 61). Esta música foi executada oficialmente pela primeira vez no casamento da princesa real da Grã-Bretanha em 1858 e a partir de então passou a emocionar noivas de todo mundo ocidental.

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Outra grande obra é sem dúvida seu concerto para violino e orquestra em mi menor (Opus 64), uma de suas últimas composições. A obra é inovadora sob vários aspectos. No primeiro movimento, o solista executa o memorável tema de abertura antes da orquestra, fato que foi muito copiado pelos concertos para violino escritos posteriormente. Nas transições entre os movimentos a surpresa, a obra é executada sem pausas. Na época, a platéia aplaudia ao final de cada movimento. Mendelssohn, querendo acabar com essa prática fez com que o oboé sustentassse uma nota entre o primeiro e segundo movimento, fazendo com que a platéia aplaudisse apenas no final, costume seguido por "quase" (menos os leigos) todos até os dias de hoje.


O concerto foi bem recebido pelo público na sua primeira apresentação, mas depois com o passar do tempo se tornou um dos maiores e mais executados concertos para violino de todos os tempos.


Segue uma de muitas apresentações disponíveis no youtube:

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