
Jesse, vivido por Ethan Hawke, um jovem americano que está viajando de trem de Budapeste para Viena encontra casualmente Celine, vivida por Julie Delpy, uma estudante francesa que está voltando pra sua casa em Paris. Os dois são os protagonistas do filme Before Sunrise (http://www.imdb.com/title/tt0112471/) dirigido e escrito por Richard Linklater.
Ele a convence a desembarcar em Viena para passarem o dia juntos antes de retornarem aos seus destinos finais, e gradativamente vão se envolvendo em uma paixão crescente. Mas existe uma verdade inevitável: no dia seguinte ela pegará o trem para Paris e ele um avião para os Estados Unidos. Com isso, resta aos dois aproveitar da melhor maneira possível o tempo que lhes resta juntos.
Em um filme com elenco de dois atores, ou seja, apenas dois personagens, o roteiro passa a ser o grande responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Nesse caso sucesso, Richard Linklater, conseguiu reproduzir de forma fidedigna o espírito de um mochilão pela Europa, além de criar diálogos que entretém o público nos 90 minutos do filme. A dinâmica dos dois atores juntos também foi fundamental.
Eles começam a passear a pé pela cidade, passando por alguns pontos turísticos importantes da cidade e alguns lugares nem tão conhecidos assim, passeio estilo mochilão mesmo. Entre um traslado e outro além de apreciar a paisagem a única distração possível é conversar. O teor de suas conversas é principalmente sobre seus receios e temores sobre relacionamentos, como eles observavam o fracasso de vários relacionamentos e como eles, jovens que são, gostariam de não cair nessas armadilhas da vida. Conversaram sobre assuntos mais profundos também, como a morte, desde Jesse mencionando a aparição da falecida avó na sua infância, até a visita a um cemitério de indigentes. Obviamente isso colaborou para a relação de afeto crescente entre os dois durante o filme, quanto mais delicado é o assunto, mais íntimos eles ficavam e conseqüentemente mais ligados um ao outro.
O cenário é a bela Viena, bem no centro da Europa e cortada pelo Danúbio, a trilha sonora é de música clássica, mas bem que poderia ser Kraftwerk, possivelmente Europe Endless do clássico álbum Trans-Europe Express. No café noturno em Viena, o diretor começa a cena mostrando a composição de várias mesas, cada uma com pessoas de várias origens, falando várias línguas, conforme mencionado na música Trans-Europe Express do mesmo álbum. A ótima cena continua e o casal simula que chegando em casa liga para o melhor amigo(a) para contar sobre sua viagem. No meio as declarações de amor ele descobre que ela não sentou ao seu lado por acaso no trem.
Ao longo do filme, o casal entra em contato com várias formas de arte: teatro, música, dança, poesia. Entram numa loja de discos, passeiam de roda gigante, andam por parques, praças e vielas, tornando o dia perfeito.
Perto de uma fonte, são abordados por uma cigana vidente que lê o futuro de Celine na sua mão. Depois que ela vai embora o americano zomba dos prognósticos da velha cigana, aí podemos ver claramente os estereótipos: homem cético racional e a mulher sonhadora e sentimental.
Um pouco mais a frente, Celine reclama do comportamento de Jesse em relação ao episódio da cigana, no que poderia ter sido a “primeira briga” deles. Nesse momento o casal é abordado por um poeta / mendigo que se oferece a escrever um poema em troca de alguns trocados. A aparição deste poeta serve para quebrar o gelo da pequena discussão deles, mas logo após eles ouvirem a declamação do poema, Jesse tenta bancar o cético novamente, dizendo que obviamente o poema já estava pronto e que eles haviam sido enganados, mas logo lembra que essa postura gerou a “primeira briga” deles, e desiste de insistir e aproveita a magia do momento. Aqui vale a máxima: amar não significa estar com a razão 100% das vezes, e que para viver em harmonia com alguém, as pessoas tem que ceder em suas opiniões algumas vezes. Aparentemente isso pode parecer ruim, desistir de algo de que se está convicto, mas os fins justificam os meios, vale a pena fazer pequenas concessões em pró da sinergia de um casal.
O final não é o clímax do filme, mas é sem dúvida um dos melhores finais de filme que eu já vi. Eles vão para a estação de trem (Wien Westbahnhof) se despedem apaixonadamente e se comprometem a se encontrar de novo em 6 meses.
Na sequência, as cenas onde eles compartilharam momentos juntos durante a noite previamente mostradas no escuro agora são mostradas vazias e iluminadas pelo Sol nascente. De alguma forma a mensagem passada é que aqueles lugares ficarão na memória deles e ao mesmo tempo a história deles passará a fazer parte da história dos lugares, esse é um dos grandes atrativos das cidades européias, elas são repletas de história.
Aparece pela última vez os dois indo embora, ela no trem e ele num ônibus para o aeroporto, a trilha sonora podia ser a música Franz Schubert do mesmo álbum do Kraftwerk. Ao se separar de uma pessoa amada, a pior parte é o traslado pra casa. Lembro-me muito bem de deixar minha namorada em sua casa nos domingos a noite e depois pegar estrada para ir para o interior, parecia que a minha vontade de ficar ali exercia uma força que me atraía de volta tornando a Dutra cada vez mais longa; depois disso chegando em casa era só retomar a vida normalmente se ocupando de coisas corriqueiras como lavar louça, limpar o aquário, assistir os gols da rodada na TV, jogar playstation e assim por diante; me ocupando de coisas para enganar a saudade.
O filme acaba. Um pouco de suspense fica no ar. Eles se reencontrarão em 6 meses? Não importa, a beleza não está no suspense, o que importa é o que aconteceu nessas horas que eles passaram juntos. Quanto ao suspense, qual o intuito de saber o que acontece depois? Não é realmente necessário, o importante do filme é a história e não o final. De forma equivocada, muita gente só gosta de filmes ou livros com finais felizes (viveram felizes para sempre), tragédias, ou finais surpreendentes e reveladores. Um filme de ótimo conteúdo não precisa recorrer a estes artifícios para ser considerado bom, ele se sustenta apenas pela sua história, e quando ela acaba o filme simplesmente termina.
Seguem cenas mencionadas do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=Ew3XL_fE-M0
Ele a convence a desembarcar em Viena para passarem o dia juntos antes de retornarem aos seus destinos finais, e gradativamente vão se envolvendo em uma paixão crescente. Mas existe uma verdade inevitável: no dia seguinte ela pegará o trem para Paris e ele um avião para os Estados Unidos. Com isso, resta aos dois aproveitar da melhor maneira possível o tempo que lhes resta juntos.
Em um filme com elenco de dois atores, ou seja, apenas dois personagens, o roteiro passa a ser o grande responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Nesse caso sucesso, Richard Linklater, conseguiu reproduzir de forma fidedigna o espírito de um mochilão pela Europa, além de criar diálogos que entretém o público nos 90 minutos do filme. A dinâmica dos dois atores juntos também foi fundamental.
Eles começam a passear a pé pela cidade, passando por alguns pontos turísticos importantes da cidade e alguns lugares nem tão conhecidos assim, passeio estilo mochilão mesmo. Entre um traslado e outro além de apreciar a paisagem a única distração possível é conversar. O teor de suas conversas é principalmente sobre seus receios e temores sobre relacionamentos, como eles observavam o fracasso de vários relacionamentos e como eles, jovens que são, gostariam de não cair nessas armadilhas da vida. Conversaram sobre assuntos mais profundos também, como a morte, desde Jesse mencionando a aparição da falecida avó na sua infância, até a visita a um cemitério de indigentes. Obviamente isso colaborou para a relação de afeto crescente entre os dois durante o filme, quanto mais delicado é o assunto, mais íntimos eles ficavam e conseqüentemente mais ligados um ao outro.
O cenário é a bela Viena, bem no centro da Europa e cortada pelo Danúbio, a trilha sonora é de música clássica, mas bem que poderia ser Kraftwerk, possivelmente Europe Endless do clássico álbum Trans-Europe Express. No café noturno em Viena, o diretor começa a cena mostrando a composição de várias mesas, cada uma com pessoas de várias origens, falando várias línguas, conforme mencionado na música Trans-Europe Express do mesmo álbum. A ótima cena continua e o casal simula que chegando em casa liga para o melhor amigo(a) para contar sobre sua viagem. No meio as declarações de amor ele descobre que ela não sentou ao seu lado por acaso no trem.
Ao longo do filme, o casal entra em contato com várias formas de arte: teatro, música, dança, poesia. Entram numa loja de discos, passeiam de roda gigante, andam por parques, praças e vielas, tornando o dia perfeito.
Perto de uma fonte, são abordados por uma cigana vidente que lê o futuro de Celine na sua mão. Depois que ela vai embora o americano zomba dos prognósticos da velha cigana, aí podemos ver claramente os estereótipos: homem cético racional e a mulher sonhadora e sentimental.
Um pouco mais a frente, Celine reclama do comportamento de Jesse em relação ao episódio da cigana, no que poderia ter sido a “primeira briga” deles. Nesse momento o casal é abordado por um poeta / mendigo que se oferece a escrever um poema em troca de alguns trocados. A aparição deste poeta serve para quebrar o gelo da pequena discussão deles, mas logo após eles ouvirem a declamação do poema, Jesse tenta bancar o cético novamente, dizendo que obviamente o poema já estava pronto e que eles haviam sido enganados, mas logo lembra que essa postura gerou a “primeira briga” deles, e desiste de insistir e aproveita a magia do momento. Aqui vale a máxima: amar não significa estar com a razão 100% das vezes, e que para viver em harmonia com alguém, as pessoas tem que ceder em suas opiniões algumas vezes. Aparentemente isso pode parecer ruim, desistir de algo de que se está convicto, mas os fins justificam os meios, vale a pena fazer pequenas concessões em pró da sinergia de um casal.
O final não é o clímax do filme, mas é sem dúvida um dos melhores finais de filme que eu já vi. Eles vão para a estação de trem (Wien Westbahnhof) se despedem apaixonadamente e se comprometem a se encontrar de novo em 6 meses.
Na sequência, as cenas onde eles compartilharam momentos juntos durante a noite previamente mostradas no escuro agora são mostradas vazias e iluminadas pelo Sol nascente. De alguma forma a mensagem passada é que aqueles lugares ficarão na memória deles e ao mesmo tempo a história deles passará a fazer parte da história dos lugares, esse é um dos grandes atrativos das cidades européias, elas são repletas de história.
Aparece pela última vez os dois indo embora, ela no trem e ele num ônibus para o aeroporto, a trilha sonora podia ser a música Franz Schubert do mesmo álbum do Kraftwerk. Ao se separar de uma pessoa amada, a pior parte é o traslado pra casa. Lembro-me muito bem de deixar minha namorada em sua casa nos domingos a noite e depois pegar estrada para ir para o interior, parecia que a minha vontade de ficar ali exercia uma força que me atraía de volta tornando a Dutra cada vez mais longa; depois disso chegando em casa era só retomar a vida normalmente se ocupando de coisas corriqueiras como lavar louça, limpar o aquário, assistir os gols da rodada na TV, jogar playstation e assim por diante; me ocupando de coisas para enganar a saudade.
O filme acaba. Um pouco de suspense fica no ar. Eles se reencontrarão em 6 meses? Não importa, a beleza não está no suspense, o que importa é o que aconteceu nessas horas que eles passaram juntos. Quanto ao suspense, qual o intuito de saber o que acontece depois? Não é realmente necessário, o importante do filme é a história e não o final. De forma equivocada, muita gente só gosta de filmes ou livros com finais felizes (viveram felizes para sempre), tragédias, ou finais surpreendentes e reveladores. Um filme de ótimo conteúdo não precisa recorrer a estes artifícios para ser considerado bom, ele se sustenta apenas pela sua história, e quando ela acaba o filme simplesmente termina.
Seguem cenas mencionadas do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=Ew3XL_fE-M0
Segue a letra das duas (Franz Schubert é instrumental) músicas do Kraftwerk mencionadas:
Europe endless
http://www.youtube.com/watch?v=Gv071rEXDL0
Europe endless
Endless endless endless endless
Europe endless
Endless endless endless endless
Life is timeless
Europe endless
Life is timeless
Europe endless
Europe endless
Endless endless endless endless
Europe endless
Endless endless endless endless
Parks, hotels and palaces
Europe endless
Parks, hotels and palaces
Europe endless
Promenades and avenues
Europe endless
Real life and postcard views
Europe endless
Europe endless
Endless endless endless endless
Europe endless
Endless endless endless endless
Elegance and decadence
Europe endless
Elegance and decadence
Europe endless
Trans Europa Express
Trans Europa Express
Trans Europa Express
Trans Europa Express
Rendez-vous auf den Champs Elysees
Verlass Paris am Morgen mit dem TEE
In Wien sitzen wir im Nachtcafe
Direkt Verbindung TEE
Wir laufen 'rein in Düsseldorf City
Und treffen Iggy Pop und David Bowie
Trans Europa Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Rendezvous on Champs-Elysees
Leave Paris in the morning on T.E.E.
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
In Vienna we sit in a late-night cafe
Straight connection, T.E.E.
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
From station to station
back to Dusseldorf City
Meet Iggy Pop and David Bowie
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Trans-Europe Express
Franz Schubert
http://www.youtube.com/watch?v=lu8jv-mow9c&feature=related
Segue a poesia escrita à beira do Danúbio:
Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm delusion angel
I'm fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm delusion angel
I'm fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Latched in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?
Latched in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?




















