quarta-feira, 30 de maio de 2012

Desmistificando Crítica de Arte


Crítica de arte é algo extremamente simples, mas que algumas pessoas conseguem complicar muito. Por um lado temos leigos não interessados em aprofundar-se um pouco que seja para entender uma obra de arte e, portanto declaram que não gostam de um artista ou um estilo. Por outro lado, temos “especialistas” altamente qualificados que transformam a crítica de arte em algo inteligível ao grande público, atribuindo a uma obra de arte, diversos padrões que não passam de mera especulação, mas que “soam” bonito.

Vocês provavelmente já devem ter visto exemplos dos dois extremos: “Estes quadros do Picasso são muito ruins, os rostos estão todos desfigurados!”, “Este vinho possui notas cítricas de morango, amora, letras de carvalho envelhecido, o aroma doce de chocolate, café e bem no finalzinho uma lembrança de queijo camembert!”. 

Eu defendo que crítica de arte não pode deixar de ter, tampouco extrapolar o bom-senso.

Existem ainda duas linhas de crítica de arte que valem a pena mencionar: aquela que sugere que a primeira impressão de quem vê uma obra é a que vale. Que nenhuma informação, sobre o artista ou a obra deve ser listada antes da primeira apreciação da obra com o intuito de não trazer viés para a análise da obra em si. Os que defendem esta linha estão preocupados com a influência do poder da sugestão. Se antes de assistir um filme você lê 5 críticas falando mal do filme, você já irá para o cinema mal intencionado a procurar os defeitos da obra mencionados nas críticas.

A outra linha defende que toda obra de arte tem que estar inserida num contexto, num período, num momento histórico e numa linha de pensamento; e que todas as informações acerca da obra devem ser levadas em consideração no momento de se redigir uma crítica.

Utilizando o bom-senso já mencionado, eu sou a favor sim de se apreciar uma obra sem nenhuma informação satélite para ajudar a “entendê-la”, mas não podemos parar por aí. Depois desta primeira impressão, devemos buscar sim informações complementares para poder apreciar uma obra de arte num nível mais elevado. Segue um exemplo:

Quando assisti ao filme “Blade Runner”pela primeira vez, gostei muito do cenário, do roteiro e da fotografia. Tempos depois fui descobrir que o diretor Ridley Scott tinha dado ao cenário futurista um clima Noir, o que me fez pesquisar o que era um filme Noir, também descobri que o filme tinha se baseado num livro do escritor de ficção científica Philip K. Dick, e que detalhes como a existência de pessoas de várias etnias na futurista Los Angeles era uma previsão do escritor de um mundo globalizado. O filme ainda me incentivou a pesquisar mais coisas sobre andróides e robôs, o que fez com que me interessasse pelos livros de Isaac Asimov, as leis da robótica e anos mais tarde decidisse fazer engenharia mecatrônica. Anos depois, com todo este background, seja dos detalhes da produção do filme, ou do funcionamento de robôs e inteligência artificial, assistir o filme novamente em permite reparar em detalhes que eu não conseguia na primeira vez e, portanto apreciar esta obra de arte num nível muito mais elevado.

Todos os elementos para o entendimento de uma obra de arte devem estar contidos nela, e as informações satélites devem apenas colaborar no entendimento em sua plenitude. Agora, quando o diretor do filme, ou um pintor, compositor precisa explicar detalhadamente a sua intenção ao fazer uma obra de arte, temos claramente o caso de uma obra falha. Usando ainda o mesmo exemplo do filme “Blade Runner”, eu nunca senti a necessidade de que o diretor explicasse se o protagonista era um replicante ou não. As vezes, a beleza da obra está em gerar a dúvida, como Machado de Assis fez em Dom Casmurro.

Além do bom-senso, outro fator muito importante na crítica de arte é a intuição.

Intuição nada mais é do que a capacidade do cérebro humano de, uma vez que se depara com um problema que envolve diversas variáveis, fazer inconscientemente uma análise rápida e dar uma direção a ser seguida, ou uma decisão a ser tomada. Esta análise, por ser feita inconscientemente, não permite que a consciência tenha certeza da decisão a ser tomada, e cabe ainda à consciência tomar a decisão de acreditar na intuição ou não. Na minha experiência sobre o assunto, afirmo que devemos sim dar crédito à nossa intuição com bastante freqüência, mesmo sem ter certeza do resultado final, e esta característica do cérebro humano é extremamente útil na crítica de arte. Segue um exemplo:

Quando eu assisti pela primeira vez ao filme “2001, uma Odisséia no Espaço”, eu não entendi quase nada, mas alguma coisa me dizia que naquele filme existiam muitas mensagens que o diretor estava passando aos expectadores. Eu precisei ler os 4 livros da série escritos pelo Arthur C. Clarke, descobrir que por trás de todo o simbolismo do filme estava a teoria do Ubbermensch de Nietzsche. O filme é mesmo uma das maiores obras de arte da história do cinema, a minha intuição estava certa. Só expandindo o conceito, o mesmo aconteceu quando vi pela primeira vez os quadros cubistas de Pablo Picasso e os quadros surrealistas de Salvador Dali. O mesmo aconteceu com o quadro acima de Rene Magritte, eu ainda não entendi 100% qual foi a intenção do pintor nesta obra, mas minha intuição me diz que a intenção dele foi nobre e que a execução foi bem feita.

E por último, na crítica de arte é fundamental o aprofundamento. Mas acredito que este fator já está bem exemplificado no contexto dos demais.

Resumindo, para se fazer uma boa crítica de arte é necessário seguir a sua intuição (se possível de um primeiro impacto sobre a obra), ter curiosidade para se aprofundar no assunto e ter bom senso para separar as informações relevantes acerca da obra e do artista estudado antes de formar a sua própria opinião. Simples assim.

Uma caricatura sobre crítica de arte é exposta neste episódio de Seinfeld. O quadro The Kramer foi pintado por uma namorada de Seinfeld. Kramer é o vizinho maluco de Seinfeld, que alterna momentos de paranóia e lucidez.

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"I sense great vulnerability. A man-child crying out for love. An innocent orphan in the post-modern world."
"I see a parasite. A sexually depraved miscreant who is seeking only to gratify his basest and most immediate urges."
"His struggle is man's struggle. He lifts my spirit."
"He is a loathesome, offensive brute. Yet I can't look away."
"He transcends time and space."
"He sickens me."
"I love it."
"Me too."
An elderly art loving couple, admiring the painting of Kramer, in "The Letter"


E para terminar eu gostaria de sugerir um exercício. Analise por uns dois ou três minutos o quadro abaixo e veja o que a sua intuição lhe diz:

The Courtyard of the Old Residency in Munich






Agora, sabendo mais informações sobre o artista, veja se a sua concepção inicial muda:
O artista que pintou este quadro nasceu em uma pequena cidade da Áustria e com 19 anos saiu de casa para tentar ingressar na Academia de Belas Artes de Viena, onde foi recusado 2 vezes. Ele sempre quis ser um artista, idéia não muito bem aceita por seu pai, que desejava que ele seguisse carreira como funcionário público e, portanto o reprimia.


...



Aos 21 anos, já órfão, chegou a passar fome e a viver num asilo de mendigos. Teve depois a idéia de copiar postais e pintar paisagens de Viena - uma ocupação com a qual conseguiu financiar o aluguel de um apartamento. Pintava cenas copiadas de postais e vendia-as a mercadores, simplesmente para ganhar dinheiro e no tempo livre se dedicava a suas pinturas, à leitura e era assíduo frequentador da òpera de Viena. Em 1913 se muda para Munique na Alemanha e continua vendendo seus quadros na rua. No ano seguinte tem sua carreira interrompida, pois apesar de ter sido declarado inapto ao serviço militar ele é convocado para alistar-se ao exército como mensageiro, função que exerce durante toda a Primeira Guerra Mundial.

Volte a analisar o quadro por mais dois ou três minutos.


...



Você está pronto para escrever a sua crítica sobre a obra? O último detalhe relevante que faltou revelar é que o pintor do quadro é Adolf Hitler.

By Leonardo Carnelos


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Clássicos da MPB #007 – Ary Barroso – Aquarela do Brasil



Ary de Resende Barroso (1903-1964) foi um compositor brasileiro de música popular. Além de ter composto grandes sucessos nas década de 1930 a 1950, ele recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood pela trilha sonora do longa-metragem Você já foi à Bahia? (1944), de Walt Disney, filme encomendado pelo governo americano com o intuito de aproximar os EUA do Brasil.

Dentre os maiores sucessos do compositor mineiro estão Aquarela do Brasil, uma das mais populares canções brasileiras de todos os tempos, composta em 1939. A canção, por exaltar as qualidades e a grandiosidade do país, marcou o início do movimento que ficaria conhecido como samba-exaltação. Este movimento, por ser de natureza extremamente ufanista, era visto por vários como sendo favorável à ditadura de Getúlio Vargas, o que gerou críticas à Barroso e à sua obra, que não tinha ambições políticas.

A música recebeu ainda uma letra em inglês do compositor Bob Russell, escrita para Frank Sinatra em 1957. Desde então, já foi interpretada por cantores de praticamente todas as partes do mundo.

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Referências
Ary Barroso
Aquarela do Brasil
Você já foi a Bahia?

Música Caipira #003 - Tião Carreiro & Pardinho - Rei do Gado


Tião Carreiro & Pardinho foi uma dupla de cantores de música caipira. A dupla é tida com uma das principais da música de raiz, considerados artistas de primeira linha no gênero. Tião Carreiro e Pardinho chegaram a gravar quase 30 LPs, todos remasterizados em CDs. Abaixo temos um vídeo raro de uma apresentação da dupla cantando um de seus maiores sucessos: Rei do Gado.

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Referências
Tião Carreiro e Pardinho

Clássicos do Rock dos anos 50 #007 - Bill Halley – Rock Around The Clock


Willian John Clifton, conhecido como Bill Haley (1925-1981) foi um músico de rock’n’roll. Ele compôs Rock Around the Clock em 1953, mass ó conseguiu gravá-la em 1954, não obtendo muito sucesso. Após a sua banda, Bill Haley & His Comets, regravarem o sucesso de Big Joe Turner, Shake, Ratle & Roll, eles alcançaram o sucesso e a canção "Rock Around the Clock” foi descoberta pelo grande público e se tornou grande sucesso.

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Referências
Bill Halley

sábado, 26 de maio de 2012

Hyundai Azera



Azera é um carro sedan de grande porte da montadora sul-coreana Hyundai. Foi lançado no Brasil em 2007 e continua mantendo um bom volume de vendas, abocanhando portanto a sua parcela de mercado junto com outros sedans de luxo.

Tuning é o ato de alterar as características de um carro com o intuito de personalizá-lo, tanto na estética quanto no desempenho. Normalmente, aqueles que o fazem acabam dando ao carro características da sua própria personalidade.

No Brasil o Tuning se popularizou graças ao filme Fast and Furious (Velozes e Furiosos) e com vídeo games como Need for Speed. Vejam cena do filme:

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O tuning se popularizou também muito rápido, e a falta de dinheiro nunca foi um problema para aqueles que queriam personalizar seus carros, vejam algum exemplos:













Várias marcas e modelos já foram personalizados, acontece que em regiões do Brasil, como a cidade de Guarulhos por exemplo, os carros que são personalizados passam a mudar de nome, para serem melhor identificados. Veja nos exemplos abaixo:
VW Gol – Golzera
GM Chevette – Chevetera
Fiat Uno - Unera
GM Omega – Omeguera
VW Passat - Passatera

A terminação êra é mais comum, mais existem exeções como:
VW Parati – Paratosa
Peruas Kombi  - Kombosa

Outra exceção:
VW Fusca - Fuqueta

Visualizando este nicho de mercado, e já prevendo que o sedan de luxo em alguns anos cairá nas mãos dos manos de Guarulhos, a Hyundai, em uma jogada de marketing fantástica, nomeou seu carro já com um nome que não precisará ser modificado: Azera! Agora resta saber se quando o caro cair nas mãos do pessoal de Guarulhos, eles entenderão que o carro já está adaptado para a gíria deles ou passarão a chamá-lo de Azerera!

Referências
Hyundai Azera
Tuning
Velozes e Furiosos

Chuck Norris


Carlos Ray Norris Jr., mais conhecido como Chuck Norris é um lutador de artes marciais e ator norte-americano. Ele se alistou na Força Aérea dos Estados Unidos em 1958, e foi enviado para a base aérea de Osan, na Coreia do Sul. e começou a treinar tangsudo, e se interessou pela arte marcial a ponto de atingir a faixa preta (o grau máximo), e criar a arte marcial chun kuk do. Quando retornou aos Estados Unidos ele trabalhou para a Northrop e abriu uma rede de escolas de Karatê. Em 1968, Chuck Norris tornou-se campeão de Karatê, um título que ele manteve por sete anos consecutivos. Em 1969, ele ganhou a coroa tripla de Karatê por mais vitórias em torneios durante um ano, e o Lutador do Ano da revista Black Belt. Foi também em 1969 que Chuck fez sua estreia como ator, onde faria uma grande carreira como ator de filmes de ação. Vejam uma sequência de cenas dele em ação:

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Nos últimos 10 anos, seus filmes já não fazem mais tanto sucesso, mas sua popularidade aumentou muito desde que o site Chuk Norris Facts começou a retratar o ator como alguém invencível. Segue uma pequena amostra das “Verdades” sobre Chuck Norris:

Chuck Norris doesn’t have to pay attention, attention hás to pay Chuck Norris... on the 1st and 15th of every month.

Chuck Norris’ feet are so fast, he can kick you in the past.

When Chuck Norris watched the first few Seagal and Van Damme movies he thought they were supposed to be comedies.

“I’ll Chuck you up” is the world’s most dangerous threat, for both parties, no one can withstand the wrath of Chuck Norris.

When Chuck Norris went to Paris, the Eiffel Tower had its picture taken with him.

When Alexander Bell invented the telephone he had 3 missed calls from Chuck Norris.

Fear of spiders is aracnophobia, fear of thight spaces is chlaustrophobia, fear of Chuck Norris is called logic.

Chuck Norris has a grizzly bear carpet in his room. The bear isn’t dead it just afraid to move.

Chuck Norris has already been to Mars; that’s why there are no signs of life.

Some magicians can walk on water, Chuck Norris can swim through land.

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Dentre as piadas com Chuck Norris, segue uma das minhas preferidas:
Mas o que nem todo mundo sabe é que em seu terceiro filme, Chuck Norris leva uma surra do Bruce Lee, vejam no vídeo abaixo:

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Caso este blog saia do ar, ou eu não volte a postar nele, gostaria de dizer que amo muito a minha esposa e gostaria ainda de agradecer a minha famíl...

By Leonardo Carnelos

Referências
Chuck Norris
Chuck Norris Facts

terça-feira, 22 de maio de 2012

Personagens dos Vingadores montados a partir de brinquedos, material de escritório e comida:





Referências

Personagens montados em Lego

Tentem adivinhar os personagens:











Referências
http://www.theinspiration.com/2012/03/lego-imagine-by-jung-von-matt/

Artperceptions Post #0400!


Chegamos ao post número 400!

Mais uma vez eu me abstenho um pouco de falar sobre obras de artes e suas correlações para agradecer aos fiéis leitores do blog Art Perceptions. Já são três anos e meio de atividade e até agora foram:

400 textos publicados
63.464 acessos
19.978 visitantes únicos de 92 países diferentes
78 comentários publicados

Se olharmos o que vem acontecendo com o número de acessos, tanto em relação ao tempo quanto em relação ao número de textos publicados podemos ver claramente uma exponencial.


Continuem acompanhando os textos no blog e mandando seus comentários, críticas e sugestões; e acima de tudo, nunca se esqueçam:
“A vida não faz sentido sem o estudo da arte!” 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cervejas Review #024 - Chopp Oktoberfritz


Chopp Oktoberfritz, tipo Pilsen. É uma edição especial fabricada pela cervejaria de Monte Verde para seu evento anual, a Oktoberfritz. Vendida exclusivamente em outubro (ou até que acabe o estoque). Não pasteurizada, cor entre o amarelo e o dourado, bem turva para uma Pilsen. As espuma da foto sumiu em segundos. Receita supostamente alemã, desrespeita a (extinta) lei de pureza da Bavária e leva arroz na composição. Começa bem interessante mas achei o sabor adicionado meio enjoativo, que não combinou com a proposta. Pelos mesmos R$10 é possível comprar cervejas bem melhores, mas vale experimentar. Teor 4.5%.

By Vila Verde

domingo, 20 de maio de 2012

Escritores #016 – Fiódor Dostoiévski – Memórias do Subsolo



Memórias do Subsolo é um pequeno romance de Fiódor Dostoiévski. Apresenta-se como um excerto das memórias de um funcionário público aposentado que vive em São Petersburgo. O livro é dividido em duas partes: a primeira chamada de “O subsolo” e a segunda de “A propósito da neve molhada”.

Na primeira, o leitor é levado a entrar no subconsciente do personagem, o subsolo aparece como sendo o subconsciente humano. Subconsciente é o conjunto dos processos mentais que se desenvolvem sem intervenção da consciência, é onde estão pensamentos, idéias pré-formuladas que podem ser acessadas pela consciência a qualquer momento. É no subconsciente que se encontra pensamentos e idéias que queremos esconder de todos, até de nós mesmos, e indiretamente, são esses pensamentos que comandam nossos atos.

Na segunda parte, o personagem narra acontecimentos que ele vivenciou, entrando a fundo nos detalhes. Essa narrativa é exposta com uma visão da consciência do protagonista, num dos melhores exemplos do recurso literário fluxo de consciência.

Em Literatura, fluxo de consciência é uma técnica literária em que se transcreve o processo de pensamento integral de um personagem, com o raciocínio lógico entremeado com impressões pessoais momentâneas e exibindo os processos de associação de idéias. A característica não-linear do processo de pensamento leva freqüentemente a rupturas na sintaxe e na pontuação. Com o uso desta técnica, mostra-se o ponto de vista de um personagem através do exame profundo de seus processos mentais.

Esta obra é considerada como a primeira obra existencialista do mundo. Existencialismo é a crença que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, não meramente o sujeito pensante, mas as suas ações, sentimentos e a vivência de um ser humano individual. Conseqüentemente esta linha filosófica suporta a idéia de que o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada, apesar da existência de muitos obstáculos e distrações como o desespero, ansiedade, o absurdo, a alienação e o tédio.

Zona de Spoilers
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Este é um homem amargo, isolado, sem nome (chamado geralmente de Homem subterrâneo). Este personagem, que não menciona seu nome em nenhum momento, começa a primeira parte do romance, se descrevendo da seguinte forma:

“Sou um homem doente... Um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao certo, do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os médicos. Ademais, sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos o bastante para respeitar a medicina. (Sou suficientemente instruído para na obter nenhuma superstição, mas sou supersticioso.) Não, se não quero me tratar, é apenas de raiva. (...) sou o primeiro a reconhecer que, com tudo isto, só me prejudicarei a mim mesmo e a mais ninguém. Mas, apesar de tudo, não me trato por uma questão de raiva. Se me dói o fígado, que doa ainda mais.”

Este é um homem pão-duro, mesquinho, egoísta. Chega a ser tão pão duro que se isola da sociedade por que acha que o melhor a fazer a respeito é nada. Não que seja preguiçoso, é que simplesmente prefere viver sua vida enfurnado em livros e teorias, a compartilhar sua existência com outras pessoas. Em certos momentos da narrativa em fizeram lembrar de Pinky do filme / álbum The Wall do Pinky Floyd. Personagem que depois de perder o pai na guerra foi tão reprimido pela sociedade (pela mãe super protetora, pelos professores em sua escola, pela esposa adúltera, e assim por diante), que decidiu levantar um muro que o isolasse de tudo e de todos.

Na segunda parte do livro, o homem do subsolo narra os acontecimentos de sua vida que o fizeram chegar a este estado. E ao final do livro lança a pergunta:

“O que é melhor? Uma felicidade barata ou um sofrimento elevado?”

A verdade é que ele estava pondo em cheque a sua condição. Devemos nos arriscar a viver a vida em sua plenitude para depois conviver com os sofrimentos decorrentes desta exposição? Ou o melhor é manter nossas expectativas bem baixas e nos contentar com pouco? Devo eu voltar a me relacionar com as pessoas? Devo eu derrubar o muro que me isola da sociedade? Vale a pena?

A dualidade do livro, entre a primeira e a segunda parte estão portanto descritas: o subconsciente e o consciente, o subsolo e a neve molhada, o isolamento e a exposição, a segurança e o risco, a teoria e a prática.

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O livro foi escrito na cabeceira de morte da esposa de Dostoiévski, numa situação de grande necessidade financeira. Provavelmente estas dificuldades fizeram o escritor por no papel grande parte do que ele estava sentindo no momento, antecipando vários elementos que aparecerão em seus romances maiores e mais famosos.

Aparentemente, as idéias de como funciona o subconsciente humano, descritas no livro como o subsolo, influenciaram Freud em suas teorias e Nietzsche em sua filosofia. Eu confesso que este livro, principalmente a primeira parte, foi um dos mais difíceis de compreender, tive freqüentemente de voltar algumas páginas e reler alguns trechos mais de uma vez, mas não exatamente pela complexidade da narrativa, e sim por que ela exigia um nível um pouco maior de concentração. De qualquer forma, de tudo que li sobre o escritor até agora, este é o livro que eu recomendo mais fortemente a leitura. Eu mesmo, num futuro próximo, quero fazê-lo outras vezes.

by Leonardo Carnelos

Referências
Fiódor Dostoiévski
Memórias do Subsolo
Fluxo de Consciência
Existencialismo

sábado, 19 de maio de 2012

Compositores #016 – Vivaldi


Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) foi um compositor e músico italiano do período barroco. Tinha o apelido de il prete rosso ("o padre ruivo") Compôs 770 obras e é sobretudo conhecido popularmente como autor da série de concertos para violino e orquestra Le quattro stagioni (As Quatro Estações).

Nascido em Veneza, Antonio Lucio Vivaldi era o primogênito dos sete filhos do casal Gionanni Battista Vivaldi, violinista, e Camila Calicchio. Ordenado padre em 1703, ficou impedido de celebrar a missa em decorrência de uma doença crônica, provavelmente asma. Foi nomeado mestre de violino do "Ospedalle della Pietà", uma instituição veneziana que acolhia crianças órfãs, famosa por seu conservatório musical. E apesar de ter sido ordenado padre, muitas histórias amorosas são conhecidas, inclusive com suas alunas de música.

Johann Sebastian Bach transcreveu alguns dos concertos de Vivaldi para o cravo, bem como alguns para orquestra, mas ele não foi o único, Mozart, Haydn e muitos outros músicos foram influenciados pela obra de Vivaldi, afinal foi ele quem inventou ou, pelo menos, estabeleceu a estrutura definitiva do concerto e da sinfonia. Contudo, nem todos os músicos demonstraram o mesmo entusiasmo: Igor Stravinsky afirmou em tom provocativo que Vivaldi não teria escrito centenas de concertos, mas um único, repetido centenas de vezes, característica essa da música barroca.

Le quattro stagioni, conhecidos em português como As Quatro Estações, são quatro concertos para violino e orquestra do compositor italiano Antonio Vivaldi, compostos em 1723 e parte de uma série de doze publicados em Amsterdã em 1725, intitulada Il cimento dell'armonia e dell'inventione. Ao contrário da maioria dos concertos de Vivaldi, estes quatro têm um programa claro: vinham acompanhados por um soneto ilustrativo impresso na parte do primeiro violino, cada um sobre o tema da respectiva estação. Não se sabe a origem ou autoria desses poemas, mas especula-se que o próprio Vivaldi os tenha escrito.

As Quatro Estações é a obra mais conhecida do compositor, e está entre as peças mais populares da música barroca.

Concerto No. 1 em Mi maior, op. 8, RV 269, "La primavera"
Allegro
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Largo
Allegro Pastorale

Concerto No. 2 em Sol menor, op. 8, RV 315, "L'estate"
Allegro non molto
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Adagio e piano - Presto e Forte
Presto

Concerto No. 3 em Fá Maior, op. 8, RV 293, "L'autunno"
Allegro
video
Adagio molto
Allegro

Concerto No. 4 em Fá menor, op. 8, RV 297, "L'inverno"
Allegro non molto
video
Largo
Allegro

by Leonardo Carnelos

Referências
Vivaldi
Le quattro stagioni

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